O avanço da terceirização na oferta de serviços de saúde traz impactos na atuação de médicos e demais profissionais da saúde e, por consequência, no atendimento ofertado à população. No intuito de mapear a realidade atual nas diferentes instituições de saúde do Estado, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) realiza levantamentos regionais com base em entrevistas a profissionais realizadas durante visitas realizadas nos estabelecimentos de Atenção Primária à Saúde (APS).
Nos relatos dos profissionais, destacam-se fragilidades nas condições de trabalho, como falhas de infraestrutura, falta de insumos e dificuldade de acesso a exames e especialistas. Também aparecem questões relacionadas à segurança nas unidades, com relatos de situações de risco envolvendo pacientes em contextos de vulnerabilidade social.
Abordam também situações trabalhistas, como preocupações com a remuneração e descumprimento de contratos. “Há uma expectativa por maior estabilidade, com defesa de concursos públicos, padronização da carga horária e garantia de relações de trabalho mais seguras e previsíveis”, detalha Alexandre Silveira, diretor do Simers e coordenador do Núcleo do Atenção Primária e Medicina de Família.
O impacto da terceirização
Ao favorecer a alta rotatividade de profissionais, as terceirizações prejudicam a longitudinalidade da atenção, ou seja, que o mesmo médico acompanhe o paciente ao longo do tempo. Além disso, terceirizações já realizadas em Porto Alegre e outras cidades evidenciaram instabilidade dos contratos e problemas desde atrasos de salários até casos em que trabalhadores não receberam.
Como exemplos, é possível citar o recente caso de Porto Alegre, onde ocorreu a extinção de duas empresas que administravam mais de 60 unidades de saúde. Já em Canoas, em 2025, houve ameaça de extinção da Fundação Municipal de Saúde. “Isso desestimula o profissional, gera ansiedade, aumenta o número de atestados e afastamentos. E isso reflete na qualidade do atendimento à população”, diz Silveira.
O Simers defende a realização de concursos públicos, preferencialmente na carreira estatutária, que é mais estável e compatível com a Atenção Primária. “O concurso público também seleciona servidores qualificados, preferencialmente com residência em Medicina de Família e Comunidade, tendo uma equipe mais preparada e capacitada”, reforça o diretor do Sindicato Médico do RS.
Confira alguns dos dados revelados no estudo:
O Simers realizará o levantamento em todas as regiões do Estado. A primeira a ter informações compiladas é a do Litoral, onde 10 municípios foram visitados entre fevereiro e abril de 2026. Cidades das regiões Sul e Central também já recebem visitas e em breve profissionais da Fronteira serão ouvidos. “Além de termos um cenário estadual, o levantamento nos oferecerá recortes regionais relevantes para o entendimento das demandas locais mais relevantes, apontando a necessidade de atuação para o melhor exercício médico”, completa Silveira.
48,3% das respostas apontam para falta de medicamentos, como, por exemplo, Dipirona e Sulfato Ferroso;
36% indica falta de equipamentos médicos;
51,7% afirma que o estabelecimento não possui câmera de monitoramento;
Pediatra presente em 33 estabelecimentos (62,2%) ao menos 1x por semana;
38,2% relatam enfrentar dificuldades para solicitação de exames complementares, especialmente os exames de imagem;
28,1% das respostas indica atraso remuneratório;
O quantitativo médio de consultas que os médicos precisam atender é de 20 a 24 por dia;
46,1% dos profissionais entrevistados contam com vínculo trabalhista PJ/Cotistas. Estatutários, 12,4%. CLTs, 12,4%. Mais Médicos, 12,4%. Contratos temporários, 5,4%. E 11,2% não responderam.













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