O mês de fevereiro é marcado por duas campanhas de conscientização em saúde:o Fevereiro Roxo, dedicado a doenças crônicas como Alzheimer, lúpus e fibromialgia, e o Fevereiro Laranja, que alerta para a leucemia e incentiva a doação de medula óssea. Nesse cenário, a atuação do Técnico em Enfermagem ganha ainda mais relevância, especialmente pelo contato direto, frequente e humanizado com pacientes que convivem diariamente com limitações físicas, emocionais e sociais.
De acordo com Aurélia Ribas, docente referência dos cursos da área da saúde do Senac Santana do Livramento, compreender o contexto dessas doenças, que não têm cura e exigem acompanhamento contínuo, é fundamental para que o profissional consiga contribuir para a qualidade de vida do paciente
“Quando o técnico em enfermagem conhece profundamente essas patologias, ele consegue orientar, acolher e capacitar a pessoa para conviver melhor com a doença. No caso da leucemia, por exemplo, também há um papel importante na orientação da população sobre sinais e sintomas para o diagnóstico precoce e no incentivo à doação de medula óssea”, destaca.
Os desafios enfrentados por quem convive com Alzheimer, lúpus, fibromialgia ou leucemia vão além do tratamento clínico. Muitas dessas doenças afetam a estrutura corporal, a mobilidade, a aparência e até as funções cognitivas, impactando diretamente na autoestima e na vida social do paciente. A adaptação à rotina e ao ambiente também se torna um processo delicado.
É nesse ponto que a humanização se torna parte essencial do cuidado. Empatia, vínculo e escuta ativa passam a ser tão importantes quanto os procedimentos técnicos. “A cronicidade exige adaptações constantes para garantir uma melhor qualidade de vida, e o técnico em enfermagem precisa estar preparado para enxergar o paciente na sua totalidade, e não apenas a patologia”, reforça a docente.
Humanização e cuidado
Durante a formação, os alunos do curso Técnico em Enfermagem são preparados para compreender não apenas as doenças, mas também suas complicações, possíveis desfechos e a forma como paciente, família e ambiente precisam ser orientados para lidar com essa realidade.
As vivências práticas também contribuem para esse preparo. Os estudantes têm contato com diferentes contextos de atendimento hospitalar: atenção primária, instituições de longa permanência, atendimento ambulatorial e domiciliar. O que amplia a compreensão sobre as adaptações necessárias em cada situação, o manejo de medicações e a atuação em equipe multiprofissional.
A comunicação é outro ponto trabalhado de forma intensa ao longo do curso. No caso do Alzheimer, por exemplo, a perda gradual da interação social exige estratégias específicas. “Quando o paciente se torna mais introvertido, a comunicação precisa ser estimulada por meio de atividades cognitivas e comportamentais e, quando necessário, com o apoio da equipe multiprofissional”, explica Aurélia.
Para a docente, um técnico em enfermagem bem preparado é aquele que consegue ir além do protocolo. “É o profissional que vê o paciente como um todo, que busca atualização constante e alia conhecimento técnico a habilidades como empatia, comunicação e humanização.”
Para quem pensa em ingressar na área da saúde, Aurélia deixa um recado direto: “Gostar de pessoas, de se comunicar, ter curiosidade, buscar conhecimento e, acima de tudo, ser humano e empático, são características essenciais para quem deseja atuar com propósito no cuidado ao outro.”













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